Diário de Campanha 7 – Interlúdio – “Legends are Made, not Born: 2ª Parte”

Legends are Made, not Born

Durante o seu tempo como alquimista Newt tinha-se habituado a assistir periodicamente a eventos estranhos e surpreendentes. E no que diz respeito a peculiares objectos voadores, em particular, houve sempre uma notória afinidade com ele. Um persistente efeito secundário de muitas das suas experiências mais arrojadas. Foi portanto, com alguma naturalidade que assistiu a um gigantesco pedaço de carne semi-cozinhada passar-lhe perigosamente perto da sua cabeça. Apesar de tudo, tinha que admitir que o enorme ogre, a origem de tal projéctil, era novidade. Uma novidade muito mal encarada, e nada satisfeita de o ver.

O ogre não estava contente de os ver especialmente porque haviam interrompido a sua bem “regada” refeição, e naturalmente assumiu-os como intrusos. Preparando-se para os atacar mais ferozmente, depois da sua demonstração inicial de fúria, a reacção estranhamente rápida de Bec evitou a pior situação possível. Bec nunca tinha sido conhecido por ser particularmente eloquente, mas o ogre sofria claramente mais nesse aspecto e o facto de já estar bem bêbado ajudou os aventureiros a seguirem a pronta ideia de Bec em convencer o ogre de que eram mais escravos vindos da aldeia para o servir. Com o seu pensamento adequadamente toldado, e bastante agradado pela ideia de se acomodar mais uma vez tendo quem o servisse, o ogre assentiu e começou a exigir mais comida e bebida.

Um elemento desconhecido do próprio ogre era o facto de que já à algum tempo que este plano estava a ser preparado. Tanto mais que a última remessa de bebida enviada como “oferta” seguiu convenientemente preparada com um produto extra que deixava quem o bebê-se mais fraco e sonolento. Alguns barris da bebida envenenada já tinha sido consumidos pela criatura, o que justificava o seu estado, mas mais alguns sobravam no pequeno armazém por onde eles tinham entrado. O grupo não se fez rogado e serviu ao ogre, que alegremente aceitava tudo o que lhe traziam, o máximo de bebida que podiam. Bebendo e comendo com prazer, não demorou muito tempo até que o veneno tivesse um efeito devidamente devastador e o ogre se encontrasse ferrado a dormir.

Não querendo perder tempo, o grupo preparou-se para a nada agradável tarefa que os tinha trazido ali: eliminar o ogre de uma vez por todas. Tudo parecia estar a correr bem até ao momento em que o golpe fatal estava prestes a ser consumado. Um grito estridente de alerta soou no interior da sala surpreendendo tudo e todos e, infelizmente, acordando o ogre do seu torpor. Mesmo extremamente bêbado, o ogre compreendeu o que se passava e procurou defender-se. Infelizmente para ele, não estava suficientemente desperto para se apresentar como uma ameaça incontornável, e com uma mistura de sorte e trabalho de grupo, ele foi derrotado.

A ameaça à aldeia tinha sido eliminada. A missão tinha sido executada com sucesso.

Ou pelo menos foi esse o sentimento que inundou todo o grupo quando finalmente viram o ogre a sucumbir. Livres desse perigo imediato, concentraram-se em descobrir os segredos que o covil da criatura escondia em busca dos potenciais prisioneiros que ainda aguardavam salvamento. O que descobriram não foi exactamente o que estavam à espera.

Na própria sala onde derrotaram o ogre uma passagem secreta foi encontrada. No entanto, estava demasiado bem escondida para ser algo construido por um ogre e, especialmente, desembocava num corredor demasiado estreito para a criatura circular nele. Algo estranho se passava e o grupo decidiu investigar. Descendo por umas escadas, e depois de circularem cautelosamente por corredores estreitos e não muito seguros, a passagem levou-os até uma pequena sala de estudo. Newt reconheceu a área como sendo, em parte, um impressionante local para o estudo da alquimia, mas a Anya o local era bem mais familiar já que lhe recordava vividamente o laboratório de feitiçaria que tantas vezes limpou. Não era claramente o mesmo, mas a disposição de utilitários e a quantidade de livros que preenchiam o local eram bastante semelhantes.

Alguma investigação pela sala revelou pouco, mas acabou por perturbar um dos seus mais estranhos habitantes. Uma vassoura que se encontrava a repousar junto a uma parede subitamente começou a mexer-se ao ser tocada por Anya. Reagindo de forma agressiva, o grupo teve de se defender face aos constantes ataques de que eram alvos. As surpresas, no entanto, não acabavam ai. Para além da vassoura, e após esta ter sido destruída, livros animaram-se e atacaram o grupo. Definitivamente algo de muito, muito estranho se passava e apesar dos percalços, aquela sala não lhes trouxe nenhuma resposta.

Living Broomstick

A sala dava acesso a um pequeno quarto e a dois outros corredores. O grupo dirigiu-se ao quarto à procura de mais pistas. Newt apoderou-se imediatamente de uma pequena arca que lá encontrou, curioso por saber o que lá dentro se encontrava. Para sua surpresa, ao abrir a arca foi prontamente atacado por uma pequena cobra, sem dúvida venenosa. Reagindo rapidamente fechou a arca e depois de uns fortes abanões, cortesia de Bec, a ameaça foi eliminada.

Frustração preenchia os seus semblantes à medida que o tempo passava mas eles não progrediam. Finalmente, após uma cuidada inspecção dos livros presentes no quarto descobriram aquilo que se assemelhava a um diário. Nesse diário o plano do real culpado de todo o mal que assolava a aldeia era perceptível. Um mago, fazendo uso dos seus encantamentos, tinha enfeitiçado o ogre e estava a usá-lo para extorquir ouro à aldeia para comprar os componentes que necessitava para invocar um demónio das profundezas. E a julgar pela sua última entrada, estava bastante perto de atingir o seu objectivo. Newt e os seus companheiros não tinham muito tempo.

Recuando rapidamente para o pequeno laboratório, o grupo enveredou por um dos corredores à procura do seu real inimigo. Das duas hipóteses que tinham à sua disposição, a primeira que escolheram revelou mais uma surpresa. Numa área de trabalho muito semelhante a uma masmorra, um anão encontrava-se a trabalhar. Reconheceram-no como sendo aquele conhecido por reparar telhados na aldeia, que tinham sido informados que havia desaparecido recentemente. Ele, no entanto, não pareceu reconhecê-los. Na verdade, não obteram nenhuma reacção dele, que continuava mecanicamente a trabalhar com uma expressão vaga na sua face. Tinha sido, claramente, outra vítima dos encantamentos do mago e estava agora sob ordens do mesmo para construir algo. Não podendo fazer nada, e com o tempo a esgotar-se, decidiram deixar o anão ali e apressar-se na outra direcção.

O grupo estava nervoso. Toda esta situação se tinha desenvolvido para algo inesperado e fora do seu controlo. Inicialmente a ameaça era clara e visível, e mesmo nessa altura a sua missão era difícil e arriscada. Agora enfrentavam algo potencialmente muito mais poderoso e envolto em mistério. O medo toldava-lhes o espírito e isso tornava-os descuidados. Ao deslocarem-se pelo corredor final que lhes sobrava um novo som estridente ecoou à sua volta. Desta vez a origem do som era bem visível: um inocente cogumelo. Certamente engendrado pelo mago, o simples sistema de alarme arcano passou despercebido ao grupo à medida que avançavam apressadamente. Tinham a certeza agora de que alguém se encontrava no fim daquele corredor. Sabia também que esse alguém estava, com certeza, alertado à sua presença.

Percorrendo a distância que lhes faltava, chegaram ao final do corredor que desembocou numa sala simples, mas onde sinais dos movimentos do mago eram claramente visíveis. Traços do círculo arcano de invocação eram perceptíveis no chão, bem como inúmeros utensílios. A sua visão colectiva, no entanto, fora toldada pelas habilidades do mago, e rapidamente, na pequena sala, viram-se rodeados por um nevoeiro místico que ofuscava tudo e todos. Ataques arcanos começaram a surgir de parte incerta. O grupo não estava preparado, não era para isto que se tinha deslocado àquele temível local. Não sabiam o que fazer.

Resistiram, heroicamente, o mais que puderam. O combate foi duro, extenso, e claramente desequilibrado. A emboscada foi eficiente e determinante para o desfecho. Consciente da sua aproximação, o mago tinha-se preparado para a chegada do grupo ao local mais remoto do seu covil, e essa preparação aliada à sua superior experiência selaram o destino da expedição. Um a um, cada membro do grupo foi sucumbindo à investida. Uns incapazes de resistir aos seus ferimentos outros, vítimas dos poderes de persuasão do mago, perderam a razão e começaram a atacar os, outrora, seus companheiros. A ameaça do ogre tinha sido eliminada, mas a aldeia iria continuar à mercê de algo muito mais sinistro e o seu futuro era agora incerto.

A última coisa que passou pela mente de Newt foi o quão bom seria se ele pudesse assistir a mais uma das suas fantásticas explosões por uma última vez…

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NOTA: Este texto acompanhou Newt, a minha personagem na breve, e fatídica, aventura “Legends are Made, not Born”, o pequeno interlúdio da vasta “Elemental Campaign”. Para mais detalhes das aventuras desta campanha não percam os resumos regulares.

1 Comentário(s)

  1. onde e que eu posso comprar o jogo?????


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